Proclus Diadochus, fundador da Filosofia especulativa em geral

Agosto 11, 2007

por Diadochus Speculativus
diadochus@gmail.com

Proclus Diadochus (412-485 d.C.) pode ser considerado o verdadeiro fundador da Filosofia especulativa; no dizer de Hegel, da Filosofia especulativa em geral (überhaupt spekulative Philosophie). Da mesma forma, Hegel afirma que a Filosofia de Proclus constitui o verdadeiro ponto de passagem dos tempos antigos aos novos, da filosofia antiga ao cristianismo; a qual, de novo, nos tempos modernos se fez valer. Isso se justifica pelo modo como, pouco a pouco, Hegel toma consciência do que realmente está em jogo no que tange ao desenvolvimento manente do Especulativo puro.

Para Hegel, em suas Lições sobre Proclus, das Vorlesungen über die Geschichte der Philosophie (VGPh, III, p. 75 ss.), talvez o único senão do mesmo seja o fato de, embora ele partir da Unidade e avançar rumo ao Nous de modo mediato – e isso segundo uma configuração muito concreta – o autodesenvolvimento desta Unidade não mais se produzir segundo o Conceito, como em Plotino [ainda que neste, por seu turno, isso se dê tão só mediante o Êxtase]. Todavia, segundo Hegel, o mérito de Proclus sobre Plotino se mostra em que Proclus não faz do Ser ou do momento puramente abstrato o princípio e sim a Unidade, ou que ele determina o primeiro não como Ser, mas como Unidade, e o Ser, o Subsistir, é antes concebido como o terceiro. Do mesmo modo, para Hegel, enquanto os conceitos de Unidade, Multiplicidade, Ser, etc., se apresentam em Platão ainda de modo ingênuo, sem outra determinação que a que eles têm imediatamente; para Proclus eles têm um significado superior, eles são a expressão da essência absoluta.

Enfim, distinguindo entre Plotino e Proclus, segundo Hegel, podemos dizer que se Plotino tenta exprimir o Conceito dentro de si, Proclus leva a cabo o Conceito em sua efetividade, por seu turno, fora de si – mas, em ambos os casos, não ainda como livre em si e para si; um, o Conceito indeterminado apenas, outro, o Conceito como unidade imediata do interior e do exterior ou da essência e da existência, isto é, determinado no limite mesmo de sua reciprocidade ou de sua conversão a si.


Idealismo especulativo versus Idealismo objetivo

Agosto 11, 2007

por Diadochus Speculativus
diadochus@gmail.com

O quadro abaixo é uma tentativa inicial, não exaustiva, centrada na enumeração e, com isso, na distinção, comparação e confronto das características fundamentais do Idealismo especulativo [atualmente em processo de retomada e desenvolvimento], tal como concebido e reivindicado por Hegel ele mesmo, e do Idealismo objetivo; esse equivocadamente atribuído ao filósofo de Berlim, a partir de certas leituras que o tomam como filósofo transcendental ou interpretam sua Obra e Sistema como aprofundamento e radicalização lógico-metafísica do Idealismo transcendental subjetivo (kantiano), como que superando os limites subjetivos da posição transcendental em instaurando-a numa esfera objetiva pura ou a priori objetiva, que se manifesta na esfera subjetiva, empírica ou a posteriori.

Embora na elaboração do quadro a seguir se tenha considerado tão somente o modo como as posições do Idealismo especulativo e do Idealismo objetivo, respectivamente, se impuseram no âmbito da discussão histórico-filosófica de Hegel e Schelling, o mesmo (1) não se limita à simples descrição, enumeração, distinção, comparação e confronto dos pontos de vista efetivos desses dois representantes do Idealismo alemão; ao contrário, (2) não só se estende histórica e sistematicamente para além das filosofias desses pensadores, como também, sobretudo, (3) se impõe enquanto um elenco dos critérios mais básicos e elementares para o delineamento daquilo que Hegel designara “o ponto de vista especulativo”, em contraposição aos pontos de vista de outros pensadores, em especial o de Schelling, bem como, nos dias que correm, (4) verificar algumas tentativas de se enquadrar o Sistema hegeliano no âmbito de uma concepção de filosofia tipificada, sob o ponto de vista transcendental, como um Idealismo objetivo; de onde, enfim, o referido quadro também (5) se fazer valer como uma ferramenta adequada ao confronto entre a posição idealístico-especulativa autêntica e aquelas que reduzem “o ponto de vista especulativo” propriamente hegeliano ao ponto de vista transcendental objetivo ou ao Objetivo puro.

Por fim, o presente quadro se apresenta como peça importante no processo da discussão atual em torno da natureza da Objetividade no Idealismo absoluto da Subjetividade e sua contestação hodierna pelo Idealismo objetivo da Intersubjetividade, para o qual o Sistema de Hegel permaneceria prisioneiro de um ponto de partida que se limita à simples afirmação da Subjetividade, ainda que absoluta, [pois, apesar de sua crítica ao Idealismo subjetivo, de certo modo neste recai; isso, enquanto compreende a Identidade de Sujeito e Objeto (S-O) como a Subjetividade absoluta objetivada, portanto, não a superando, ou dela não indo além, nos quadros da Identidade de Sujeito e Sujeito (S-S), mais elevada e compreendida como a Intersubjetividade absoluta]; de onde, para o Idealismo objetivo da Intersubjetividade, embora o Sistema de Hegel identifique-se de um lado com o Idealismo objetivo, de outro seu ponto de partida o denuncia como ainda circunscrito a uma “Subjektphilosophie strictu sensu”. Será!?

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